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FIORENZA CEDOLINS: ÓPERA É UMA ARTE VIVA

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Verdiana por excelência, dona de uma voz incomparável, Fiorenza Cedolins, que nas duas ultimas décadas se apresentou nos principais teatros do mundo, visita no mês de abril a cidade de Rio de Janeiro para interpretar a ópera Aida durante os dias 20 de abril a 1 de maio.

Formada na escola do Maestro Roberto Benaglio, um dos guardiães mais confiáveis dos segredos do canto tradicional italiano, Fiorenza Cedolins destaca-se não somente pela sua marcante voz, mais pelas técnicas vocais que lhe permitem lidar com um repertório que vai de Verdi para Verismo, sem esquecer a Norma de Bellini.

Já se apresentou com os maiores ícones da ópera dos nossos dias. Em 1996 ganhou o Concurso Internacional de Luciano Pavarotti e cantou Tosca ao lado do grande tenor italiano. Em 2001 faz a sua Leonora em Il Trovatore, interpretada para a inauguração do Maggio Musicale Fiorentino, sob a batuta de Zubin Mehta. Em 2012 foi convidada para o Festival de Salzburgo para cantar no concerto de caridade realizado por Zubin Mehta, junto com Placido Domingo. No outono do mesmo ano cantou Madama Butterfly no 60 Festival de Ópera de La Coruña.

Este ano, além de Rio de Janeiro, promete se apresentar nos palcos de São Paulo, Salzburgo, Verona e Veneza.

Opera Express, entrou em contato com ela, e gentilmente nos concedeu a honra da seguinte entrevista.

 

OE. Das personagens que já interpretou, qual é a sua preferida e por qué?

Fiorenza Cedolins.  Minhas personagens favoritas são cinco!: Norma, Cio-Cio San de Madama Butterfly, Adriana Lecouvreur por razões musicais e de interpretação, Mimi de La Bohème e Desdêmona de Otello por razões mais puramente musicais. Os três primeiros que eu mencionei são três mulheres extraordinárias, carismáticas, complexas, grandiosas, tanto musicalmente quanto de caráter. São totalmente diferentes uma da outra: Norma é extrema, uma mulher que vive de uma forma extrema, líder espiritual, filha de um líder político, amante do pior inimigo de seu povo e mãe duplamente culpada por trair o seu Deus e seu povo. Butterfly é um drama psicológico moderno fala da negação de si mesmo, a auto-lesão, a teimosia insana de uma adolescente “errada” e, finalmente, Adriana é a mulher que eu quero ser: grande artista, generosa, humilde, inteligente, uma verdadeira Musa! São três personagens ricos, para os quais a música se torna interpretativa, fácil. Mimi e Desdêmona, no entanto, são mulheres com personalidade menos extremas para as quais, foram escritas páginas sublimes, quando analisadas mais de perto, com maior precisão se percebe uma chave interpretativa que não trai a aparente simplicidade do personagem, tornando-as profundas e interessantes, sem abusar de tons melodramáticos.

OE. Já tinha vindo ao Rio? Como se sente ao estar prestes da estréia de Aida no Teatro Municipal de Rio de Janeiro?

Fiorenza Cedolins.  É a primeira vez no Rio e no Brasil! Estou muito animada… um novo continente, um novo público! Meu desejo é estabelecer, como já aconteceu com o público europeu e asiático, uma relação de afeto genuíno, dando todo o coração. Minha paixão por ópera também vem da emoção de ser capaz de me comunicar com as pessoas!

OE. O que a ópera significa para você?

Fiorenza Cedolins.   A Ópera é uma forma de arte única, viva, e que se renova a cada noite! Cada experiência musical é única, e nós mesmos somos as obras de arte: a música e as personagens escritas pelos compositores, sem intérpretes, seriam coisa morta! Somos nós os que acendemos a centelha de vida para eles e os tornamos únicos. Mas este é apenas um dos aspectos milagrosos da Ópera. A outra é a relação que se estabelece com o espectador: um diálogo empático, onde o conteúdo muitas vezes transcende a forma. Podemos expressar muito mais do que o que estava escrito na partitura, mas cabe a nós, a nossa generosidade e capacidade de comunicação. Além disso, temos o mais belo: a voz! Com ela podemos traduzir as intenções do nosso espírito mais íntimo e profundo e tocar as cordas da alma de outras pessoas com poder extraordinário …. Só hoje me aconteceu um incidente que eu gostaria de lhe contar, que servirá, talvez, para entender a importância antropológica de música: durante o intervalo do teste eu estava estudando com o mestre no piano Lieder Vier Lezte, no meio de toda a confusão do palco. Após a última linha eu me virei e, acidentalmente, notei ao meu lado, um trabalhador de palco, lentamente, sem ser notado, se aproximou. Ela estava chorando e me agradeceu por ter cantado essa música …. Ele foi movido, quem sabe, pela sua memória, ou talvez apenas pela beleza sublime da música ..

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Agradecimentos especiais a  Janaina Sampaio e Josefina Piscitelli.

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Maria Callas


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